A missão do PT para os próximos quatro anos: reconquistar eleitores e a classe média

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Estamos na reta final de 2014 e as expectativas do ano seguinte não são positivas. Indústria, sindicatos, publicitários, jornalistas e outros setores da sociedade brasileira esperam um período difícil. Dilma Roussef, apesar dos índices razoáveis de popularidade precisa lidar com uma dura realidade: terá que negociar com um congresso conservador, sedento por atrapalhar sua gestão e com respaldo de uma sociedade de conceitos, no mínimo, pragmáticos. Sim, não se iluda. O PT venceu a eleição, os programas sociais falaram mais alto, o enfoque nas minorias foi salvo, mas uma realidade é dura e cruel. Apesar do crescimento do eleitorado apto a votar nos últimos 12 anos, os números não mentem: em termos quantitativos, o eleitorado petista diminuiu. Não, por favor, nem venham com o argumento de corrupção.

O próprio Vox Populi assinalou em pesquisa que boa parte da população considera que todos os partidos, de modo direto ou indireto foram beneficiados dos esquemas da Petrobras. Penso que o ponto nevrálgico está na classe média, insatisfeita e descontente por “pagar” uma fatura para tirar milhões da miséria.

Sim, os números falam por si. Em termos quantitativos, a melhor votação do PT na eleição presidencial aconteceu em 2006, quando Lula recebeu 58. 295.042 votos. Quatro anos depois, para eleger Dilma Roussef, o ex-torneiro mecânico teve a chancela de 55.752.529 votos. Dessa vez, Dilma teve 54.501.118 votos. Para ser mais exato, em quatro anos o PT perdeu 1251411 eleitores. Em oito anos, a sangria é maior: 3793924 votos. Em contrapartida, Alckmin recebeu em 2006 37.543.178 votos e Aécio Neves neste ano teve 51.041.155.

Ou seja, em oito anos, em votação de segundo turno, o PSDB ganhou 13.497977 eleitores. Em números absolutos, não há como contestar: a oposição avançou e se não acontecer mudanças de rumos na atual gestão, mesmo com Lula candidato, as possibilidades do PSDB não são desprezíveis em 2018. Lógico, porém, que estes números não tiram o brilho da vitória legitima e incontestável do dia 26 de outubro.

Saída? Que Dilma pratique política. Que coloque na cabeça a necessidade de negociar e convencer sobre seus projetos. Que PT, por sua vez, entenda as necessidades e anseios da classe média (principalmente da região Sudeste) e pratique uma política de comunicação que saiba fazer o contraponto do noticiário da mídia claramente oposicionista. O que faz parte do jogo, diga-se de passagem. O que não pode é dormir em berço esplendido e achar que tudo cairá de mão beijada. Nesse contexto, não há Lula que dê jeito.

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