A guerra entre os evangélicos pelo poder…dos homens!

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Virou moda no atual processo eleitoral defender os Cristãos Evangélicos. Concordo com as análises sobre a heterogeneidade desta fatia da população. Temos igrejas para todos os gostos e focos. Em determinados momentos, o principal rival de uma igreja evangélica é outra que concorre na mesma faixa de público. Também não há como discordar que muitos freqüentadores de igreja ignoram ordens de pastor sobre votar neste ou naquele. Tudo isso é verdade. Mas o que cientistas políticos, leigos e pessoas de diversas colorações ideológicas não percebem é algo tão simples e direto: a Igreja Evangélica no Brasil, em alguns casos, virou espaço de disputa de poder. Interno e externo, para a sociedade. E isso não tem nada a ver com Jesus Cristo.

Dois episódios ilustram tal idéia. Em 2010, o pastor Paschoal Piragibe utilizou o púlpito de sua igreja para atacar o PT e a então candidata Dilma Roussef de modo incessante. Quando tomou aquela atitude, não foi apenas uma declaração de voto indireto e sim uma demarcação de território. Ou seja, quem tivesse uma idéia contrária, não seria bem vindo.Você poderia freqüentar o espaço, desde que ficasse quieto.

Nesta campanha eleitoral foi a vez de Silas Malafaia gritar pelo twitter e Marina atender e realizar modificação no programa de governo em relação ao casamento gay. A atitude não foi apenas e tão somente para criticar a candidata e sim para dizer indiretamente o seguinte: “Como você se diz evangélica e defende uma aberração dessas?”. Ao ser atendido, mesmo que indiretamente ele teve confirmada a sua parcela de poder.

Que ninguém pense que tais histórias são isoladas. Temos sim pastores democratas, abertos ao diálogo, sensatos e focados muito mais em ensinar e provocar a reflexão do que em espalhar nacos de ódio e preconceito. Por outro lado, uma parte relevante do clero, mesmo que internamente, usa e abusa do poder concedido por Deus para apascentar suas ovelhas para impor a sua visão humana em qualquer assunto. É o poder humano sendo utilizado do modo mais sórdido possível.

Há 20 anos, por exemplo, participava de uma Igreja que atraiu um contingente de jovens. Com músicas diferentes e encontros semanais (as vezes diários) na casa das pessoas chegou a corresponder a metade da igreja. Em determinado dia, um desavisado fofocou ao pastor titular que usou o púlpito no domingo para espinafrar os jovens que estavam inseridos no processo. A única frase que ele pronunciava era: “O pastor não admite isso!”. Perceba: não existia um embasamento bíblico na frase. Era apenas e tão somente a vontade humana. E tal fenômeno acontece em diversas igrejas, de várias denominações em todo o país. Seja qual for as visões e os costumes. O poder dos homens aos poucos bloqueia a ação do poder de Deus nas igrejas. Só não vê quem não quer…

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