A celebração do egoísmo e do individualismo dentro das Igrejas Cristãs Evangélicas

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Silas Malafaia e Marco Feliciano não tem milhares de seguidores à toa. No fundo, no fundo, eles são competentes em explorar uma característica presente em boa parte das Igrejas Cristãs Evangélicas e que poucas pessoas querem admitir: a prevalência do egoismo e do individualismo, algo chancelado pela Teologia da Prosperidade, do qual os dois são adeptos defensores, mesmo que neguem de pés juntos.

Abraçar a tese do “salve-se quem puder” não é tão fácil como se imagina. Ela é exercida em pequenos gestos e atos e no final exibem um mosaico calcado muito mais em celebrar resultados do que em acudir o necessitado, o flagelado, o desprezado, o centro da mensagem de Jesus Cristo.

O tratamento dispensado aos desigrejados é um exemplo acabado. Quando o interlocutor, geralmente frequentador de uma Igreja Evangélica profere a frase “Olhe para Jesus, não olhe para os homens”, seu foco não é a de enfatizar a importância da mensagem do Salvador da humanidade e sim em uma mensagem indireta: “Vem para igreja e se tiver problemas cale a boca. Não quero saber dos seus problemas”.

Em nome de uma igreja lotada, forma-se um arquipélago de solitários, cujo os dramas, problemas, dúvidas e questionamentos são carregados individualmente e nunca com sentido de solidariedade. É preciso ostentar um cristianismo de resultados, focado na ostentação do cotidiano. O foco é dizer a seguinte frase: “Veja como meu cotidiano é bacana, eu não tenho problemas e mesmo quando tenho não se constituem em drama”. Um equívoco. Afinal, Jesus Cristo nunca disse que estaríamos livres do sofrimento ou que ele seria digamos quase inexistente.

O passo seguinte é o estabelecimento de amizades fragéis. Sei que existem exceções. Reconheço que alguns relacionamentos estabelecidos dentro das igrejas são exemplares na cumplicidade. Mas o que prevalece em boa parte dos casos é a superficialidade, o artificialismo, o medo de cravar uma relação profunda, que tenha como fruto o sentimento de compaixão e solidariedade nos instantes de tormenta. Tudo vira um grande teatro, em que ora você é protagonista e em outros você é coadjuvante. Pior: com papéis definidos. Na vida real, somos confrontados e trabalhamos com amizades de diversas formas e conexões. Não há separação por credo, raça ou estado civil.

Na Igreja Cristã Evangélica, não. Tudo é estanque, apático, sem vida e definido. Os casados só podem conviver com os casados. Os solteiros não devem sequer se aproximar. Os desquitados em nome de serem abordados em um ministério específico, por vezes são considerados leprosos, seres que não podem “contaminar” a maioria sáudavel.

E se você for casado e com filhos? Ah, muito simples. Isole-se, segregue e arrebente os solteiros e os casais sem filhos. Afinal, você é um “campeão”. Formou uma família. Mesmo que a custa de segregação e preconceito. Nada mais pobre e sem sentido.

Pegue esse caldeirão e acrescente líderes, especialmente os midiáticos, que  pouco ligam para o sofrimento humano e falta de humanidade presente nos bancos. Ele quer resultados. Ou seja, dinheiro, almas convertidas (desde que não lhe dêem trabalho, é lógico) e influência na sociedade. Muita.

Resultado desta salada: a produção de um legado pernicioso, maldoso e que coloca a Palavra de Deus em segundo plano e por vezes até persegue pastores e líderes que lutam por Jesus Cristo e pela preservação da sua Palavra.

Pior: cria-se heróis amorfos, sem identidade ou apenas responsáveis em cumprir uma missão. Querem um exemplo? Alguns vão ficar furiosos, mas é preciso falar: Se o promotor da Lava Jato Delton Dallagnol gosta tanto de alardear sua fé Cristã, o que lhe impede de nas entrevistas dizer que além de cumprir sua missão de investigar e punir os responsáveis pelas falcatruas e atos de corrupção (o que é justo e correto) que ele também ora pela vida dessas personalidades investigadas? Pois é.

Sou pessimista. Dentro do ambiente das Igrejas Cristãs Evangélicas, o diagnóstico não traz perspectivas de dias melhores. O individualismo e o egoísmo será celebrado e incentivado. Dificilmente vai melhorar.

Deus opera? Sim e quero relembrar um filme chamado “Fé Demais não cheira Bem” com Steve Martin. O filme conta a história de um pastor picareta que simula milagres nas cidades por onde passa. Com isso, fatura muito dinheiro. Até que um dia um garoto realmente é curado. Seu desespero pelo acontecimento foi tamanho que ele foge da cidade. É aquela história: apesar de pouco nos importarmos com o semelhante, Deus ainda olha por todos. É o que me consola.

3 COMMENTS

  1. quando vc aceitar Jesus de verdade e o Espírito de Deus habitar em vc, daí começará a escrever em seu site, não seu ponto de vista, mas o que Ele te fazer entender e sentir.

    • E quando vc conhecer a minha vida e as benções que Ele fez em minha vida vc não ficará me julgando…Cristão não é algo que sai da fábrica…
      E gente como você é que me deixa bem longe da igreja

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