A aprovação da PEC 99/2011 e o desejo dos pastores da volta da Idade Média

0
14

Pastores e pessoas influentes que me encontram pessoalmente me questionam do meu rigor em relação a conduta das Igrejas Cristãs Evangélicas. Alguns argumentos são válidos e produzem reflexão. Até penso em buscar um novo direcionamento, mas o noticiário confirma de que estou na trilha correta. Exemplo disso aconteceu na quarta-feira à tarde quando deputados aliados do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) aprovaram em Comissão Especial o parecer favorável à PEC 99/2011, que autoriza as igrejas a questionarem regras ou leis junto ao Supremo Tribunal Federal. Isso mesmo. Não é delirio.

Caso a PEC seja aprovada pelo plenário da Câmara e depois, no Senado, as igrejas passam a ter direito a apresentarem Ações diretas de Inconstitucionalidade (ADI) ou outros recursos, como Ação Declaratória de constitucionalidade (ADC) e Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) perante o STF. As igrejas teriam o mesmo poder da Ordem dos Advogados do Brasil. Pergunto: com qual objetivo. Para que?

Pastores midiáticos e com grande alcance nacional não escondem de ninguém o objetivo de angariar poder. Não de Deus, mas dos homens. Querem ter peso no debate político e se bobear até tirar a caneta da presidenta Dilma Roussef. Querem rasgar a constituição e jogar o Estado Laico no lixo.

Só uma pessoa sem capacidade de reflexão e alienada não verifica o plano colocado em andamento nos últimos anos dentro das Igrejas Cristãs Evangélicas. Em primeiro lugar, você sufoca toda e qualquer voz contrária ás ideias das lideranças. A preocupação nem é o culto em si, e sim o que defende o opositor no pátio da igreja, no cotidiano e na conversa com os irmãos em Cristo. Luta contra o racismo? Defesa de Bolsa Familia e dos programas sociais? Moradia decente aos mais pobres? Saúde e educação de qualidade? São assuntos que na visão dos pastores não podem ser tratados sequer fora da igreja. Então, que os defensores se retirem.

Realizada a “limpeza ideológica” (cujo os petistas e progressistas se constituem no principal alvo), os pastores e líderes sedentos de poder realizam incursões no mundo político e apoiam candidatos ao parlamento e ao poder executivo. Utilizar o púlpito? Sim, não há limites para alcançar o que se pretende.

Com os parlamentares eleitos e na defesa de pautas reinantes na idade média, a meta é conceder de fato e de direito ao pastor em questão e com isso preserva-se o parlamentar de choques “desnecessários” com os colegas de Congresso Nacional.

Dou exemplo prático: digamos que os parlamentares progressistas consigam reverter em plenário o afrouxamento do Estatuto do Desarmamento aprovado dias atrás. Ao invés de reunir uma bancada de parlamentares e encaminhar uma contestação ao STF, o deputado aciona o pastor que lhe apoiou na eleição e este apresenta a contestação junto ao tribunal. Se o político goza de credibilidade rasa, como combater uma instituição com credibilidade de 54% de acordo com pesquisa da CNT? A medida pode ser combatida dentro das igrejas? Impossível. Excetuando-se líderes Cristãos Evangélicos democráticos e focados em espalhar a mensagem de Cristo, como Estevam Fernandes, Ariovaldo Ramos, Ed Renê Kivitz ou Ricardo Gondim, o que resta dentro das Igrejas Cristãs Evangélicas é uma ditadura feudal em que homens obedecem bovinamente a ordem do pastor e as mulheres…Ah, infelizmente estas não significam nada.

Aprovar a PEC 99/2011 não será somente a quebra do conceito de Estado Laico. Será transformar o Brasil em cenário da idade média.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here